Sobre a AMGM
A Associação Médica Giuseppe Moscati surgiu da livre iniciativa de estudantes de Medicina que têm em comum a fé católica. O nome escolhido é uma manifesta homenagem ao santo que, pautado pelos altos ideais que a Fé é capaz de conferir, destacou-se pela prática da Medicina de uma maneira que mereceu todos os qualificativos da excelência, aliada ao destaque na carreira como pesquisador e cientista e à realização de um notório serviço à sociedade através de contribuições no âmbito da saúde pública e da solidariedade no seu trabalho pela saúde dos mais pobres.
Motivações, ética médica, moral
Entre as motivações que fomentaram o surgimento do grupo estão algumas das realidades que observamos da posição de estudantes de Medicina no Brasil do século XXI. Dentro de uma sociedade que em grande parte se fechou para a transcendência, o esquecimento de Deus e do destino eterno do ser humano levam de forma inexorável à desumanização e ao que se pode chamar de um império da superficialidade, e é questão de tempo até os efeitos se fazerem sentir na Medicina.
Ética médica
Vemos um embate envolvendo as visões por trás de diversas concepções da ética médica, e não vemos nenhuma delas satisfazer porque se esquecem do fim último do homem, e resulta que aprendemos uma ética vazia e incapaz de embasar a dignidade para com o ser humano que deve pautar nosso agir como médicos. De um lado temos uma visão legalista que rechaça os erros com base apenas num código de ética escrito e sempre sujeito a alterações. Ao mesmo tempo que sentimos o receio quanto a possíveis modificações nesse código que venham desprezar a natureza humana e o agir médico orientado para o Bem, olhamos para o outro lado de embate e vemos um preocupante crescimento da mentalidade utilitarista, que é capaz de validar ou invalidar uma realidade em sua apreciação moral com base numa impressão aferida por cálculos de custo e benefício, que muitas vezes coisificam a vida do ser humano para que entre na conta a ser feita na ponta do lápis. Constatamos que o relativismo pode submeter tanto uma visão quanto a outra.
Moral
Vemos um rebaixamento moral que chega também aos médicos, desde a época da faculdade, muitas vezes persuadidos de que já se foram os tempos em que ao ser médico correspondia o dever de uma altura moral ditada por valores humanos e transcendentes elevados. Com frequência se acredita em nosso meio na mentira segundo a qual é possível ao médico uma vida dupla, que compatibilize uma excelência profissional com escolhas na vida privada que pouco caso fazem da bondade ou maldade dos atos humanos.
Materialismo
Vemos muitos professores médicos chegarem para dar aula em carros importados e aos poucos uma mentalidade materialista invadir muitos dos que entraram com altos ideais na faculdade desejosos de um dia ser médicos para fazer da Medicina um instrumento para o bem.
Vemos as consequências da abolição da noção de bem e de mal atingirem a relação com os pacientes, pois se perdeu o sólido fundamento filosófico que dava ao ser humano um valor incomensurável, e com frequência vemos as escolhas dos médicos se importarem pouco com o bem do paciente.
Vemos, nesse vazio de ética médica, crescer entre nossos colegas, após o estabelecimento de uma visão relativista e antinatalista na medicina voltada para a reprodução humana, a aprovação à ideia de que o Brasil necessita do aborto legal, sem que se disponha a fazer debates sérios e indo às últimas consequências de se tolerar a prática do aborto como prática eticamente compatível com a Medicina. Aos poucos vemos surgir rachaduras na integridade daquela ética médica que colocava a vida humana como um valor superior ao possível mal que o detentor dessa vida pudesse causar, que se aplicava tanto a um malfeitor ferido e necessitado de atendimento quanto à criança não nascida em um lar onde por diversos motivos não teria condições favoráveis ao seu saudável desenvolvimento. Tememos que, ao subestimar o valor da vida por se tolerar a prática do aborto como prática médica válida, logo a desvalorização da vida chegue às outras casuísticas, com prejuízo para qualquer pessoa que um dia dependa dos médicos.
Concretamente o grupo nasceu em Curitiba entre estudantes de Medicina da PUC-PR, que palparam essas preocupações, comuns a vários católicos que estudam Medicina hoje. Logo houve contato com outros estudantes de Medicina de Santa Catarina e um sacerdote de Arquidiocese de Florianópolis que, com seus amplos estudos em bioética, carrega com força e em nível nacional a bandeira da defesa da vida. Com o tempo o grupo cresceu e transpôs as fronteiras do sul do Brasil, de modo que hoje temos estudantes de todas as cinco regiões, com destaque para a grande presença em cidades do Nordeste, alunos de faculdades públicas e privadas, do interior e das capitais, e, talvez o que mais nos alegra, vivenciadores das mais diferentes realidades eclesiais; jovens que beberam de fontes muito diversas dentro dos caminhos que o Espírito Santo suscitou na Igreja.
Frente a todo o panorama que observamos de dentro das escolas médicas, desejamos servir à Igreja, nesses lugares onde ninguém o fará se nós não o fizermos, através da defesa da vida, nesta possível iminência do avanço do aborto no Brasil, e, ademais, através da formação dos estudantes de Medicina, especialmente os católicos, através de encontros presenciais ou por meio das novas tecnologias, para que exerçam futuramente a Medicina na integridade da sua Fé e cientes daquele algo de sagrado que teremos em nossa Missão.
